Educação não é gasto. Educação é investimento!
(Manifestavam-se os estudantes no dia 15 de maio de 2019 nas ruas de mais de duzentas cidades do Brasil.)
Nunca fui boa em Finanças e essa diferenciação não era clara para mim. Os jovens de hoje, desde os quinze anos, entendem.
Gastos são sacrifícios financeiros para a obtenção de bens e serviços.
Investimento é a aplicação de dinheiro com a expectativa de receber retorno futuro superior ao valor aplicado.
(Fonte: Google. Achei curioso o uso da palavra 'sacrifício)
Coincidentemente, eu havia compreendido bem a importância desses conceitos, dias antes, em uma conversa corriqueira. Minha interlocutora reclamava da dificuldade em manter o padrão "Apple" de celulares com o dólar custando mais de R$4,00 cada um. Eu respondi, despretenciosa:- É, fica um investimento muito caro. E ela retrucou: -Investimento, nao! Gasto, pois no máximo em três anos você vai precisar comprar outro aparelho!
Foi a primeira vez que entendi com clareza a importância desses conceitos para, na prática, tomar decisões.
E concordo com os estudantes: educação é investimento, não é gasto e o retorno futuro será certamente maior do que o dinheiro investido.
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Qual é o preço da consulta? é, quase sempre, a segunda pergunta quando alguém faz contato querendo iniciar uma análise.
Tento adiar essa resposta, postergar para um momento em que a entrevista inicial já tenha avançado e me possibilitado um conhecimento maior da pessoa que me procura, por um lado e, por outro, propiciado que essa pessoa tenha sua primeira impressão sobre o meu modo de trabalhar.
Compreendo que, como tudo em uma análise, o preço da sessão também é particular e individualizado. O importante é que ele tenha um sentido para o analisando e também para mim, no contexto daquele trabalho.
Esse dinheiro é um investimento. Sendo uma análise longa ou curta, durante anos da sua vida, você se pegará em situações difíceis pensando assim: o que a Beatriz diria agora? Ou o Oscar, ou a Teresa, ou aquele que tiver sido o seu analista. Mas, não é o analista que tem a resposta, é você que rememorando a situação analítica encontrará a sua resposta, passará a reconhecer com maior facilidade as manifestações do inconsciente e do seu desejo.
Fazer análise gera frutos por toda a vida, não é gasto, é um investimento, baseado no tempo presente, nas circunstâncias financeiras atuais do paciente. O valor da consulta é um acordo a que chegam as duas partes envolvidas e que pode e deve ser revisto de tempos em tempos. Uma resposta evasiva a essa pergunta tem como pano de fundo essa forma de avaliar o valor do trabalho, que vai além do aspecto monetário. Pressupõe um retorno imediato e também a médio e longo prazo do dinheiro e do esforço investidos.
terça-feira, 28 de maio de 2019
sábado, 25 de maio de 2019
O começo do trabalho.
Atribui-se a Picasso a frase: - "É preciso muito tempo para a gente se tornar jovem".
O pintor espanhol que viveu a maior parte de sua vida em Paris, é considerado um dos maiores gênios da pintura universal e foi um dos fundadores do Cubismo. Sua obra é dividida em diversas fases e sua vida pessoal foi bastante agitada e apaixonada. O paradoxo na frase citada acima nos surpreende e faz pensar. Evidentemente, ele não estava falando do corpo. Esse envelhece implacavelmente desde o momento do nascimento. Talvez estivesse falando de costumes e moral, mas sua vida em nenhum momento parece ter estado submetida a padrões convencionais. Minha intuição me sugere que ele estivesse refletindo mais sobre o próprio processo criativo e o seu desejo de realizar um trabalho original e inovador. Pode ser! Se alguém souber algo mais sobre isso, compartilhe nos comentários, por gentileza.

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Aninha
Era uma moça bonita, simpática, carinhosa, inteligente, que todos amavam à primeira vista.
Bem sucedida no trabalho e no amor, o que a levaria a procurar a análise?
Aninha, que era gentil demais, meiga e doce demais, de repente passou a sentir-se insatisfeita, angustiada, nervosa, querendo mudar a sua vida. Mas com um complicador, quase impeditivo: ela não queria perder nada que tinha. Queria manter a sua imagem, a admiração da família e dos amigos e, principalmente, não queria perder o seu amor, com quem dividia a vida desde o começo da adolescência. Como seria possível se ela havia se dado conta que seu corpo jovem, sua vida de adulta, recém-iniciada, carregava a idade da sua mãe, do seu pai, da sua avó. Percebeu que chegara àquele estágio sem viver o que desejava, sem experimentar o que se apresentava no 'seu' tempo, no seu corpo e que sempre fizera as escolhas que eram esperadas pelos que ela amava e lhe eram caros. Foi esse insight, acontecido após uma vivência inédita para ela, que a perturbou e levou a me procurar. O trabalho de Aninha na análise seria tornar-se jovem, viver ao seu modo, diferenciar-se do modelo tão bem aprendido e recolocar-se no 'seu' mundo. Não é uma tarefa fácil. Inclui riscos, pode ser doloroso. Nunca é simples fazer análise. Articular possibilidades, fantasias, projetos, tendo como âncora o desejo, exige coragem e atitude, poesia e criação.
O pintor espanhol que viveu a maior parte de sua vida em Paris, é considerado um dos maiores gênios da pintura universal e foi um dos fundadores do Cubismo. Sua obra é dividida em diversas fases e sua vida pessoal foi bastante agitada e apaixonada. O paradoxo na frase citada acima nos surpreende e faz pensar. Evidentemente, ele não estava falando do corpo. Esse envelhece implacavelmente desde o momento do nascimento. Talvez estivesse falando de costumes e moral, mas sua vida em nenhum momento parece ter estado submetida a padrões convencionais. Minha intuição me sugere que ele estivesse refletindo mais sobre o próprio processo criativo e o seu desejo de realizar um trabalho original e inovador. Pode ser! Se alguém souber algo mais sobre isso, compartilhe nos comentários, por gentileza.
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Aninha
Era uma moça bonita, simpática, carinhosa, inteligente, que todos amavam à primeira vista.
Bem sucedida no trabalho e no amor, o que a levaria a procurar a análise?
Aninha, que era gentil demais, meiga e doce demais, de repente passou a sentir-se insatisfeita, angustiada, nervosa, querendo mudar a sua vida. Mas com um complicador, quase impeditivo: ela não queria perder nada que tinha. Queria manter a sua imagem, a admiração da família e dos amigos e, principalmente, não queria perder o seu amor, com quem dividia a vida desde o começo da adolescência. Como seria possível se ela havia se dado conta que seu corpo jovem, sua vida de adulta, recém-iniciada, carregava a idade da sua mãe, do seu pai, da sua avó. Percebeu que chegara àquele estágio sem viver o que desejava, sem experimentar o que se apresentava no 'seu' tempo, no seu corpo e que sempre fizera as escolhas que eram esperadas pelos que ela amava e lhe eram caros. Foi esse insight, acontecido após uma vivência inédita para ela, que a perturbou e levou a me procurar. O trabalho de Aninha na análise seria tornar-se jovem, viver ao seu modo, diferenciar-se do modelo tão bem aprendido e recolocar-se no 'seu' mundo. Não é uma tarefa fácil. Inclui riscos, pode ser doloroso. Nunca é simples fazer análise. Articular possibilidades, fantasias, projetos, tendo como âncora o desejo, exige coragem e atitude, poesia e criação.
terça-feira, 21 de maio de 2019
Liberdade
Liberdade, por quê?
Existe liberdade? Ou ela é só 'desejo de'... existe o desejo de liberdade.
De qualquer forma, essa utopia movimenta as pessoas, cria mundos, alimenta amores.
A liberdade alimenta, cria, movimenta.
É esse o meu desejo ao lançar esse blog: criar uma nova forma de refletir e dialogar no campo da psicanálise, alimentar as pessoas, contornar a angústia com o deleite das artes plásticas, do cinema, da literatura, da música, movimentar o que insiste em não caminhar, o que faz sofrer e nos leva a buscar respostas no conhecimento próprio às Humanidades.
Liberdade de fazer prevalecer a lei do amor, do coração, da honra, como Antígona desafiando seu algoz, nesse tempo de inversão generalizada de valores.
Liberdade de voltar, retomar, recomeçar.
Liberdade!
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Quando termina uma análise?
Quais são os critérios que determinam a 'alta' de um trabalho analítico?
A resposta técnica vinda de Freud diz que a análise é interminável. A posição lacaniana refere-se à 'queda' do analista. Análise interminável porque o inconsciente não se esgota e queda do analista quando o analisando já não reconhece nele um suposto-saber.
Mas, na prática, o que determina o final de uma análise, quase sempre, são fatores bem mais banais e particulares e aí não estamos falando do final de uma análise e sim da suspensão do contrato estabelecido entre o analista e o seu cliente que estipula a frequência de encontros entre essas partes para falar do que vier à cabeça do analisando.
Parece um contrato de malucos, mas quem vive a experiência sabe o quanto é enriquecedor para a vida.
No meu caso particular, como analista, dei alta forçada e generalizada aos meus analisandos todos.
Parei de atender. Não de repente. Avisei com meses de antecedência e prometi me colocar à disposição, de outras formas, enquanto eles não fizessem a transferência para novos analistas.
E tenho cumprido minha promessa: respondo a WhatsApp, saio com eles para um café e atendo pela internet quando há interesse nessa possibilidade.
Estava faltando um espaço de reflexão e produção de conhecimento em grupo que também prometi ao encerrar meu consultório.
Esse blog se propõe a esse trabalho. Pretendo escrever sobre temas recorrentes na psicanálise, além de comentar filmes, livros e outras produções artísticas que me pareçam de interesse para o crescimento e renovação das pessoas. O espaço dos comentários espero que seja democrático e respeitoso como convém a quem leva a sério a dura tarefa do existir. Estarei disponível para aceitar sugestões de temas de interesse dos participantes.
Estou animada e feliz com essa proposta. Tomara que eu encontre eco e ação nas outras telas às quais chegar. Abraços a todos.
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